Eu não queria a Copa inchada, mas o coração disse sim!
- Igor Schulenburg

- 22 de jun.
- 2 min de leitura

Quarenta e oito seleções. Mais jogos, mais grupos, mais zebras. É inchaço. É festa de participação travestida de Copa do Mundo. Eu fazia parte do coro dos que torciam o nariz — e escrevi sobre isso aqui mesmo, antes da bola rolar.
Pois a Copa me desarmou. E me desarmou ao vivo, porque eu estou vendo quase tudo. Jogo após jogo, sentado, assistindo a história ser escrita na minha frente.
A emoção da Copa nunca foi novidade. Ela sempre entregou isso — o improvável, a zebra, a seleção pequena que por vezes apronta. Faz parte da receita desde sempre. Mas tinha uma diferença: era exceção. Acontecia uma vez, duas, e virava lenda. Nessa Copa não. Já temos pelo menos duas grandes festas, fora outras comemorações que quase ninguém sabe. Quer dois exemplos? O Egito nunca tinha vencido em partidas de Mundial. Quem diria que a República Democrática do Congo iria parar Portugal de Cristiano Ronaldo? Mas quem viu Cabo Verde e Curaçao, sabe do que eu estou falando.
Cabo Verde, um arquipélago com meio milhão de habitantes, segurou um empate sem gols com a Espanha na estreia — com um goleiro chamado Vozinha, de 40 anos, fazendo defesa atrás de defesa. Dias depois, arrancou um 2 a 2 do Uruguai. Cabo Verde! Tirando ponto de Uruguai em Copa do Mundo.
Curaçao — a menor nação em população da história a disputar um Mundial — empatou com o Equador e conquistou seu primeiro ponto. A ilha parou. Festa na rua, gente chorando por um zero a zero. Porque aquele zero a zero valia mais que muita goleada.
Tecnicamente? Foram jogos irregulares. Truncados, nervosos, longe do futebol-arte. Quem assistiu procurando refinamento tático saiu decepcionado. E quem ainda só exige isso de uma Copa do Mundo, perde rigorosamente seu tempo. Só sei que quem assistiu procurando emoção, saiu cheio.
Porque é isso que esses jogos têm de sobra. Não é a técnica que emociona — é o peso do que está em jogo pra quem está jogando. Pro craque milionário, mais uma partida. Pro jogador de Curaçao, o dia mais importante da vida dele e de um país inteiro. E aí está a virada que a gente passa a aprender, quando deixa de exigir tanto: A magia da Copa nunca enfraquece, ela muda como a gente, com o passar o tempo. As 48 seleções que eu achava que iam diluir a Copa são justamente o que multiplicou as histórias dignas de serem contadas.
Eu sei que isso é ser romântico. Tem muita política envolvida, a FIFA, poderes, enfim... Eu sei que tem. Eu queria menos. A Copa me provou que, às vezes, mais é mais mesmo. Pelo menos dentro de alguém que ama esse esporte.
Ah, em tempo... Continuo achando os jogos tecnicamente fracos. E continuo sem conseguir desgrudar da tela.





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