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Pensar é estar vivo!

Foto do escritor: Igor Schulenburg
Igor Schulenburg
há 5 dias
2 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Camundongos num cercado com comida à vontade.

Esses dias esbarrei num vídeo no YouTube sobre um experimento que eu não conhecia. O nome? Universo 25. E desde, então ele não saiu da minha cabeça.


Em julho de 1968, o pesquisador americano John B. Calhoun, do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, montou um paraíso para camundongos. Era um cercado de 2,57 metros de lado, com comida e água à vontade, temperatura controlada, 256 ninhos, nenhum predador e nenhuma doença. Pelas contas dele, a comida daria para 9.500 animais.


Entraram quatro casais. A população passou a dobrar a cada 55 dias e chegou a 2.200 no dia 560. Ali parou. Depois do dia 600, nenhum filhote sobreviveu. Em novembro de 1972 restavam 27. Calhoun contou tudo isso no artigo "Death Squared", publicado em 1973 nos Proceedings of the Royal Society of Medicine.


Faltou comida? Nunca. Faltou espaço? Também não. Faltou hierarquia, faltou motivo para fazer qualquer coisa. Os jovens cresciam sem lugar naquela sociedade. Machos excluídos se amontoavam no centro, apáticos, atacando uns aos outros. Mães abandonavam os filhotes. E surgiram os que Calhoun chamou de "the beautiful ones", os belos. Comiam, dormiam e se limpavam. Pelo perfeito, nenhuma briga, nenhum acasalamento, nenhuma vida. Ele deu nome a isso: a morte do espírito, que chega antes da morte do corpo. Mesmo levados depois para espaços vazios, esses animais nunca mais se reproduziram.


Aí eu fiquei pensando, sem exageros, mas tendo meus devaneios.


A humanidade passou séculos correndo atrás de uma promessa: ganhar tempo para ter menos o que fazer. E fomos conseguindo. Hoje a máquina lava a louça, o aplicativo traz a comida, o GPS escolhe o caminho, o corretor completa a palavra, a plataforma escolhe a música e a série da noite. A inteligência artificial chegou para resolver o resto. Ninguém quer voltar a lavar roupa no tanque por esporte, e cada um desses confortos é uma conquista.


Só que cada conforto também leva embora um pedacinho de decisão. E decidir, escolher, se virar, pensar é justamente o que dá vida. Quem pensa, age e cuida sente que tem pertencimento. Quem para de fazer, de pensar, vai virando um dos belos: bem cuidado, bem alimentado e cada vez menos presente.


Óbvio que o ser humano vai muito além de camundongo. Isso foi dito ao próprio Calhoun em 1973, no debate depois da apresentação, quando lembraram de lugares lotados e cheios de vazios interpessoais.


Então fica aqui só como contraponto, sem querer provar nada.

Mas a pergunta fica. Se a gente continuar entregando tudo, inclusive o pensar, onde isso vai parar?

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