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Em que momento o ser humano deixou de ser... humano?

Foto do escritor: Igor Schulenburg
Igor Schulenburg
15 de out.
2 min de leitura

O esconde-esconde que em algum momento se perdeu.


Uma adolescente de 17 anos denunciou ter sido vítima de estupro coletivo em Contagem, na Grande Belo Horizonte. Os suspeitos são quatro adolescentes que ela conhecia desde a infância, frequentadores assíduos de sua casa, que compartilhavam refeições com sua família e brincavam com ela.

Parece uma pergunta absurda. Afinal, somos a mesma espécie de sempre. Mas, diante de determinadas notícias, tenho a certeza de que alguma coisa se perdeu pelo caminho. Algo que deveria ser tão elementar quanto respeito ao próximo. Fico tentando entender quando, em qual momento isso acontece. Qual o ponto em que alguém deixa de enxergar os limites do outro? Em que o respeito desaparece? Em que a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa simplesmente deixa de existir? Será que desaprendemos alguma coisa? Ou será que nunca aprendemos direito?


Pensei nisso ao ler uma notícia sobre uma adolescente de 17 anos que denunciou ter sido vítima de estupro coletivo em Contagem, na Grande Belo Horizonte. Os suspeitos são quatro adolescentes que ela conhecia desde a infância. Meninos que frequentavam sua casa, comiam com sua família e brincavam com ela. A mãe da adolescente resumiu essa convivência numa frase que me chamou a atenção: "Eles viham aqui em casa, comiam aqui, brincavam com a minha filha."


E foi justamente essa familiaridade que me fez pensar ainda mais sobre o que aconteceu. Há poucas semanas, escrevi aqui sobre como a infância é feita de primeiras vezes, e por isso parece durar tanto. A primeira vez no mar, o primeiro gol, a primeira bronca séria. Pensei nisso de novo, pelo avesso. Se existe a primeira vez de tudo, existe também a última. A última vez que aqueles meninos estiveram naquela casa só para brincar. Ninguém marca essa data. Ninguém percebe quando ela passa. Em que momento isso mudou? Em que momento quem se escondia atrás da cortina, rindo, passou a enxergar a amiga de outro jeito? E em que momento ninguém em volta reparou? Os pais, a escola, os outros amigos.


Nem eu, nem você temos essa resposta. Será que é falta de conversa? Falta de chinelada? Ou simplesmente o ser humano ta em rota de colisão com ele mesmo? A gente, o ser humano vem perdendo coisas básicas, valores e princípios nessa longa caminhada. Uma espécie de noção que parecia vir de fábrica, agora precisa ser ensinado. E nem sempre alguém ensina. O que é o mínimo, passa a ser motivo de elogio.


A casa continua lá. A cortina, o guarda-roupa, a área de serviço. O mapa secreto de uma infância que, para aquela menina, mudou de sentido numa noite só. E não tem volta.

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