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As vezes a gente precisa parar

  • Foto do escritor: Igor Schulenburg
    Igor Schulenburg
  • 21 de jul.
  • 2 min de leitura
Mas e o automático? Aquele mesmo de quem sofre com ansiedade e aprende a lidar com algo aqui, daqui a pouco outro "algo". Sozinho.

E com esse título, o teor da crônica-storyteller-maluca-real fica todo entregue e pode talvez não precisar de mais uma linha sequer. Mas sei que algumas mais sairão.


A vida da gente é bem maluca. Lutamos por coisas, nos entregamos, viramos noites, produzimos, pensamos e isso tudo é válido e necessário. Sonhos e vontade se materializam com base em todo esse esforço. A gente aprende a desvendar IA, escreve um livro sobre as experiências com ela. Liberta o mais puro sentimento escrevendo frases que vieram do coração em outro momento marcante e que está materializado. E você vai descobrindo que aquilo diz respeito muito mais a você do que a qualquer outra coisa.


Mas e o automático? Aquele mesmo de quem sofre com ansiedade e aprende a lidar com algo aqui, daqui a pouco outro "algo". Sozinho. Claro, nessa hora não há ninguém que vá te ajudar a discernir nada, pois as pessoas também estão nos automáticos delas. Só que às vezes a gente sente algo diferente, e tudo continua normal. Até não estar mais. Ainda bem que a caminhada e a carga que a gente carrega, faz a gente parar e pensar. 


Comigo o que funciona muito bem é lembrar das origens. De como é bom fazer coisas e buscar na memória, épocas onde era eu comigo mesmo. Sem ter preocupações com engajamento. Sem ter que gravar um vídeo da notícia do Flamengo, ou buscar mais uma samba de enredo para o canal, uma pauta aqui pro blog, pro blog do PodFlah, uma revisão do livro, ou do outro, ou uma letra de música (que também só faz sentido pra mim). Isso sem falar no dia-a-dia, os desafios que a gente de lambuja leva nos ombros, um peso, muitas vezes injusto... e só há uma única alternativa válida: aguentar.


Só que quando você se recolhe, faz o que sabe que é bom pra si mesmo, lembra das origens, muita coisa floresce. Muitas pessoas talvez não entendam, e tá tudo bem, fazer o que? O importante é você entender. 


Quando você realmente se vê novamente dando uma gargalhada sozinho vendo uma série improvável que decidiu assistir pois era disso que você sempre gostou, você ouve a risada da sua mãe, existente na sua própria e fazendo exatamente da forma que ela fazia.


Às vezes você precisa parar. E quando você para, é que parece tudo tomar uma certa forma. Mas tudo o que? Tudo. E isso te alimenta, junto com tantas outras coisas, que perderiam o sentido escrever aqui.


Às vezes é preciso parar. E olha, não tô falando em parar projeto que caminham com tanto suor. Eles são meus e continuarão sendo até onde meu coração quiser. Quando falo em "parar" é respirar. Fundo. Renova de dentro pra fora.


Como o automático só muda de endereço, freiar é só mais um passinho em tentar lidar consigo mesmo. E sem esse "passinho", que só você vai entender, coisas podem ficar pelo caminho, cobranças surgem, e aquela receita de bolo toda.Só que se você não cuidar do seu bolo, ninguém vai fazer. Ninguém.



© 2026 Igor Schulenburg. Todos os direitos reservados.




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