O gigante se atrasou, mas logo chega


Faz um tempo que diminuí muito minha geração de imagens no Gemini. Faço ainda por mera comparação. Não foi decisão consciente. O modelo simplesmente piorou faz alguns meses. Para o meu uso, foi perceptível. E acho que é justamente essa a parte que interessa, porque quem usa todo dia sente antes de qualquer gráfico de benchmark. Coincidência ou não, desde então... O Gemini parou. Literalmente ficou pra trás na correria da briga dos modelos de IA.
Em 19 de maio, no palco do Google I/O, o Google anunciou a família Gemini 3.5 e lançou a versão Flash. Sobre a versão Pro, Sundar Pichai disse que o modelo já estava sendo usado internamente e que seria liberado no mês seguinte. Junho passou. Julho passou. Agosto está terminando.
O Gemini 3.5 Pro não existe. Não tem model ID na API, não tem preço na tabela, não tem model card. Perdeu três previsões anunciadas: o fim de junho, o 17 de julho e o início de agosto. Na página da DeepMind, segue com o selo de "em breve".
Saca só...
O Google hoje roda duas linhas do tempo que não andam mais juntas. A linha Flash, mais leve e barata, correu de 3.5 para 3.6 e depois para 3.7, lançado em 13 de agosto. A linha Pro, o topo da casa, está congelada no 3.1 desde fevereiro. E na velocidade que tudo acontece, isso parece uma eternidade.
Uma reportagem da Bloomberg em 16 de julho revelou que o Gemini 3.5 Pro não atingiu as metas internas, principalmente em programação. Apesar de um reset e atualização dos dados de treino no fim de junho, os resultados continuaram decepcionantes, com testadores relatando alucinações e respostas inconsistentes. Quando o ChatGPT foi lançado no fim de 2022, o Google decretou código vermelho para furar a burocracia. Hoje, correr virou rotina, e a emergência perdeu o efeito.
O Google confirmou o treinamento do Gemini 4, descrito como sua corrida de pré-treinamento mais ambiciosa. Não há data, preço, número de parâmetros ou benchmark definidos. Começar o treinamento não significa proximidade de lançamento, mas particularmente, aposto que o Gemini 4 será forte.
O tamanho gigante do Google pode o tornar lento, mas também o torna poderoso. Ninguém tem mais dados ou alcance. Ele pode colocar ferramentas na frente de bilhões de pessoas sem pedir licença, integrando-as à busca, navegador, celular e e-mail.
Talvez seja só um gigante se adaptando. Enquanto isso, testamos. Afinal, tem novidade toda semana de qualquer forma.
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