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Os ídolos de papel não deixam saudade.

  • Foto do escritor: Igor Schulenburg
    Igor Schulenburg
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura
Estamos num hiato de exemplos. Os ídolos que nos ensinaram o que é excelência com humildade estão partindo — e não estão sendo substituídos. Não porque o talento acabou. Porque o caráter ficou raro.

Oscar Schmidt jamais se encaixaria entre esses. Deixará sim, muita saudade.


O "Mão Santa" nos deixou aos 68 anos. Vinte e cinco anos de uma carreira ilibada. Um ser humano guerreiro, de caráter. Amou a vida como poucos. Foi cestinha olímpico e anotou 55 pontos em uma única partida em Seul — recorde que ainda existe. Que ainda resiste.


Mas nada disso é o mais importante.


O mais importante aconteceu quando a NBA bateu na porta dele. No auge. Com dinheiro, com fama, com tudo que qualquer atleta sonharia. E Oscar negou.


Não foi desdém, nerm arrogância.


Porque a NBA não permitia que seus jogadores defendessem a seleção do próprio país. E ele escolheu o Brasil. Dá pra imaginar isso em um mundo onde "caráter" virou palavra em extinção? Não no vocabulário do esporte. No vocabulário do ser humano.


Vivemos uma era de ídolos descartáveis. A melhor banda dos últimos tempos da última semana. O maior jogador dessa geração até aparecer o próximo. A personalidade mais admirada até o próximo escândalo. Tudo fabricado, tudo com prazo de validade, tudo feito pra ser consumido e esquecido.


Oscar não foi fabricado. Foi construído. Ponto por ponto, jogo por jogo, escolha por escolha. E a maior delas não foi dentro de nenhuma quadra.


Ele conviveu por 15 anos com um tumor cerebral. Operou, tratou, lutou. Em 2022 decidiu parar a quimioterapia. Viveu o tempo que tinha do jeito que quis — com dignidade, com presença, com humildade e o coração cheio de amor. Sai de cena consagrado. Intocável.


Estamos num hiato de exemplos. Os ídolos que nos ensinaram o que é excelência com humildade estão partindo — e não estão sendo substituídos. Não porque o talento acabou. Porque o caráter ficou raro.


Oscar Schmidt não era apenas um atleta excepcional. Era um exemplo de como se vive. E isso, no mundo de hoje, vale mais do que qualquer recorde.


Obrigado, Mão Santa.


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