Marshall, você precisava ver isso.
- Igor Schulenburg

- há 5 horas
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Marshall McLuhan cunhou uma das frases mais citadas e menos compreendidas da história da comunicação: "O meio é a mensagem."
Não é o que você fala. É onde e como você fala que transforma tudo. O telégrafo não mudou só a velocidade da informação. Mudou a guerra. Mudou a política. Mudou o mundo — não pelo conteúdo das mensagens, mas por ser o meio que era.
Marshall morreu em 1980. Mas eu precisava ligar pra ele essa semana. "Marshall, temos um problema novo. O meio agora pensa." A IA não é um canal. Não é o fio do telégrafo, não é a TV, não é o feed do Instagram. Ela interpreta antes de entregar. Ela reformula antes de exibir. Ela está entre o emissor e o receptor — e ela não é neutra.
Quando você escreve um prompt e a IA responde, quem assina a mensagem? Você que teve a ideia. Ela que escolheu as palavras. O leitor que interpretou à sua maneira.
Três camadas. Nenhuma inocente.
McLuhan diria que sempre foi assim — cada meio carrega seu próprio viés, sua própria distorção. Mas agora o meio tem opinião. Aprende. Se adapta. E às vezes, discorda.
"Marshall, o meio virou coautor."
O que isso muda na comunicação? Em tudo. Na autoria? Na responsabilidade? Na relação entre quem fala e quem ouve? A pergunta que ele faria hoje não seria "qual é a mensagem?"
Seria: "Quem é o autor?"
E você sabe responder?


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