Aprendi a postar no dia seguinte
- Igor Schulenburg

- 6 de mai.
- 2 min de leitura

Como jornalista, faço a cobertura do Flamengo há quase 3 anos. Já atingi mais de 25 milhões de pessoas com meu conteúdo. Esse conteúdo é parte da minha paixão pela profissão e pelo esporte.
E de tanto "post daqui", "post de lá", passa a ser normal entrar em ritmos que o nicho acaba estabelecendo por padrão. Mas eu saí dele. Aprendi a postar no dia seguinte.
Não foi uma decisão grandiosa. Não teve um momento de iluminação. Foi o cansaço acumulado de ver, semana após semana, o mesmo ciclo se repetindo. Jogo termina. Internet explode. Opiniões disparadas antes do apito final. Certezas absolutas sobre o que aconteceu, o que deveria ter acontecido, quem errou, quem se salvou, quem tem que sair.
E eu ali, com o celular na mão, pensando: pra quê entrar nisso agora?
Não estou falando dos outros. Estou falando de mim.
Já fui esse cara. Já postei no calor do momento, no embalo do que todo mundo estava dizendo, com meia análise e muita emoção. É fácil. É quase automático. A plataforma te puxa, o engajamento sobe, e você sente que está participando de algo.
Mas participando de quê, exatamente?
De um ciclo que esquece tudo em 24 horas. Que constrói e destrói ídolos no mesmo stories. Que confunde volume com profundidade.
Decidi sair desse ciclo. Perdi engajamento? Perdi. Valeu a pena? Completamente. Porque o que eu quero construir não é barulho. É repertório. É o tipo de conteúdo que alguém lê numa terça e ainda pensa na quinta.
Isso leva tempo. Leva silêncio. Leva resistir ao impulso de postar só pra existir.
No mundo do conteúdo, a pressão pra estar sempre presente é enorme. Mas presença sem substância é só ruído.
E ruído, o mundo já tem de sobra.
Você também já sentiu esse cansaço?


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