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A última vez que o Brasil foi campeão, eu tinha 22 anos

  • Foto do escritor: Igor Schulenburg
    Igor Schulenburg
  • 9 de jun.
  • 2 min de leitura
Lembro do nó na garganta na final contra a Itália. Do jogo travado, nervoso, zero a zero que parecia eterno.

Em 1994, eu tinha 14. A idade certa pra uma Copa entrar na veia e não sair mais. Lembro do nó na garganta na final contra a Itália. Do jogo travado, nervoso, zero a zero que parecia eterno. Da disputa de pênaltis. Do Baggio mandando por cima. Do Brasil tetracampeão depois de 24 anos de espera.


Vinte e quatro anos. Guarda esse número.


Em 2002, eu já tinha 22. A magia era outra, mais madura, mas ainda intacta. Ronaldo renascido das próprias cinzas, calando quem o tinha enterrado. A final contra a Alemanha. Os dois gols em cima do Kahn, que parecia intransponível. O penta. Era a quinta estrela. E foi a última.


De lá pra cá, são 24 anos sem título. Repara na simetria: em 94, o Brasil quebrou um jejum de 24 anos. Em 2026, tenta quebrar outro, do mesmo tamanho exato. Mesma distância no calendário. Mundo completamente diferente.


Porque a magia de 94 chegava por um meio. A de 2026 chega por outro — fragmentada, antecipada, comentada à exaustão antes mesmo da bola rolar. Em 94, a Copa era um acontecimento que invadia a casa. Em 2026, é um conteúdo que disputa a sua atenção com mil outros. A figurinha que você esperava semanas pra completar virou notificação. A expectativa que crescia em silêncio virou polêmica diária. O craque que era mito virou pauta de enquete. E talvez por isso o clima ainda não tenha chegado.


A descrença é recorde. Só 28% dos brasileiros acreditam no hexa. Metade do país nem queria o principal nome dos últimos dez anos na convocação. A campanha das Eliminatórias foi a pior da história.


Eu nem sou desses que vive pela seleção — meu coração é rubro-negro, sempre foi. Prefiro o Flamengo campeão a qualquer taça amarela. Mas a magia da Copa é outra coisa. Ela não pede paixão clubística. Ela pede memória. E é aí que mora a teimosia bonita disso tudo.


Porque mesmo com a descrença, mesmo com a seleção que não emociona como antes, mesmo com tudo virando ruído — quando a bola rolar, a gente vai parar. Como disse um torcedor numa reportagem essa semana: "perdeu o brilho de antigamente, mas quando começa a Copa, a gente acaba torcendo."


Essa é a chama. Mais fraca, mais cansada, mais cética. Mas acesa.


A Copa mudou de meio. Mudou de tamanho. Mudou de alma, talvez. Mas ainda mexe com quem viveu 94 e 2002. E com certeza vai criar novas memórias. Não só em mim, mas também com quem só vai conhecer 2026.


A magia não é mais a mesma. Mas, vem cá — quando foi que ela prometeu ser?


1 comentário


Igor - PodFlah
Igor - PodFlah
10 de jun.

:)


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